01/05/2007

Em um bar do Cairo

Um homem com muitos braços realizava uma impossível coreografia no canto daquele bar do Cairo. Com um braço arrancava outro e o jogava no ar, esperando apenas o tempo dele cair em uma de suas mãos para continuar pulando no ritmo da canção que o acompanhava. Não era uma dança frenética, ainda que fosse desesperadora. Ás vezes, ele girava em torno de si mesmo enquanto um de seus braços voava. A cada nova mutilação, seu malabarismo ficava mais complexo e bonito. Os clientes do bar olhavam para ele hipnotizados, mas fingindo não se espantar, e o tempo passava.

A canção aumentava de ritmo e a percussão palpitava mais rapidamente naquele bar do Cairo. Poucos braços restavam ao grande malabarista e o chão do bar estava ficando escorregadio, molhado com seu sangue. Claro que isso só tornava a qualidade de sua coreografia ainda mais maravilhosa. O público acompanhava tudo com um interesse sincero emanando de seus olhares blasé. A fumaça dos chás e dos narguilês das mesas misturava-se com suores de expectativa.

Enfim, restaram apenas dois braços ao homem que, procurando com os olhos ao seu redor, foi até uma mesa vaga. A música parou. Sentou-se e continuou equilibrando seus estranhos malabares, enquanto fumava narguilê e tomava chá. Agora, atraindo a atenção de todo os clientes, inclusive o homem que tinha muitos braços, outro homem cruzou os véus azuis no canto do bar. Depois de uma reverência educada acenando com seus múltiplos braços a todos os presentes, ele começou sua impossível coreografia.

3 comentários:

Élcio disse...

AEEEE...
A famosa dança do Caio... muito bem!

Grama disse...

Boa Élcio!!! Quero ver a dança do Caio aee!!!!

Élcio disse...

ué, não sabia que o homem de muitos braços tinha um nome?