25/08/2007

para juli:


a tempestade tem sons
só dela;
marés cheias
de inércia
que levantam ondas de sono
lentas,
calmas,
paraplégicas.

é inútil remar
tentando não se molhar
nas águas dessa maré
mais vale sentir
revoltos os cabelos
no vento dos sonhos,
que,
nas tempestades,
são apenas pesadelos
passageiros.

a tempestade,
como tudo que é inconsciente,
de repente,
acorda,
e,
de longe,
surge uma aurora de calmaria
acelerada,
arisca,
que só complica
para recolher os remos
levados pela maré cheia
mas que alivia,
acaricia com calor
o suor dos braços
que carregam,
cansados,
os remos recuperados
e levam,
no ritmo necessário,
sempre em frente,
seu barco.

1 comentários:

juli disse...

é um agradecimento e um pouco de vergonha, mas aceite a primeira palavra que te disse: nossa.
e dessa vez como resposta.

:)