12/01/2009

Rancor

A dor não irá embora, nem eu:
você tirou tudo de mim.
Quero ficar e estragar essa festa,
lembrando a todos quem fui.

Digo parabéns da boca pra fora.
Não, não, eu não posso ir embora,
sou eu quem pago a conta, lembra?
Quero ser navalha, cicatriz, casca.

Tenham nojo de mim, sei que mereço.
Rio dessa dor, dou a cara
e espero o tapa, que seja sonoro.
Minha língua arde de ânsia, de xingo.

Carreguem, me arrastem, me acorrentem:
me cai bem ser um Prometeu.
Meu fígado devorado à noite
será minha força de dia.

Sumam comigo, desapareçam,
o tempo será minha vingança.
Suas casas serão suas correntes.
Seu tormento, minha lembrança.

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